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Próximas semanas serão cruciais para mostrar se Bolsonaro é capaz de estancar crises

Segunda, 20 Maio 2019 00:00

 

Por Jornal GGN
20/05/2019

Presidente Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

 Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) sofreu novas derrotas na Câmara dos Deputados, no debate em torno da Medida Provisória que mudou a estrutura da Esplanada. Por maioria, a comissão que analisa a MP na Casa decidiu tirar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) da pasta da Justiça, transferindo-a para o Ministério da Economia, além de outras medidas como devolver à Funai a demarcação de terras indígenas. O texto seguiu para os plenários da Câmara e Senado.

Essa é uma das 11 MPs em tramitação no Congresso e que expiram até dia 3 de junho. Se o governo não conseguir apoio suficiente no Congresso e a medida provisória da estruturação da Esplanada vencer, por exemplo, Bolsonaro será obrigado a retomar a estrutura anterior, com 29 ministérios alterando toda a lógica que montou para seu governo.

O governo ainda precisa impedir que o Legislativo derrube o decreto que flexibiliza o porte de armas no Brasil. A medida que facilita as regras para compra e porte de armas foi assinada por Bolsonaro no dia 7 de maio. Em seguida, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça para suspender imediatamente o decreto. Mas, enquanto isso, o próprio Legislativo pode derrubar o texto de Bolsonaro.

Em relação às ruas, a imagem do presidente da República também não anda muito boa. O corte de recursos para a Educação gerou uma onda de manifestações dia 15 de maio levando milhões às ruas em cidades de todo o país. Pelo mesmo motivo, o Congresso decidiu por maioria esmagadora (307 votos favoráveis e apenas 82 contrários) convocar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para prestar explicações sobre o corte na educação.

Além de chamar os manifestantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra”, Bolsonaro, por meio de aliados, convoca agora para o próximo domingo (26) atos pelo país em seu favor. A medida gerou críticas inclusive de integrantes do PSL, como a deputado estadual Janaina Paschal (PSL-SP), quanto de grupos que apoiaram sua eleição, como o MBL (Movimento Brasil Livre).

“Pelo amor de Deus, parem as convocações! Essas pessoas precisam de um choque de realidade. Não tem sentido quem está com o poder convocar manifestações! Raciocinem! Eu só peço o básico! Reflitam!”, escreveu Janaina em uma rede social no domingo (19). Também no final de semana, o MBL desmentiu, via nota em uma rede social, que apoia o ato no dia 26 de maio em favor do governo Bolsonaro.

Como se o desgaste não fosse o suficiente, partidos do chamado centrão (formado informalmente por DEM, PSD, PTB, PP, PR entre outros) querem lançar um projeto alternativo ao pacote da Reforma da Previdência do governo.

Para finalizar, surgem novos desdobramentos das investigações que envolvem o senador e filho, Flávio Bolsonaro, em esquemas de corrupção ligando ele, inclusive, a milícias no Rio de Janeiro. Na última semana, a revista Veja publicou uma reportagem com base nas apurações do Ministério Público Federal do Rio mostrando que Flávio comprou 19 imóveis por R$ 9 milhões. O órgão considera que há indícios de lavagem de dinheiro em imóveis.

 

Ler 323 vezes Última modificação em Segunda, 20 Maio 2019 14:03
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